O Leão da Paz
14 de abril de 2026
Nestes tempos de polarização, em que todos têm de pertencer a um grupo contra outro, falar de paz ou de amor parece algo estranho. Estas palavras são frequentemente percebidas como se quem as pronuncia estivesse a posicionar-se num dos lados: a virtude deixa de ser um substantivo autónomo para se tornar um adjetivo utilitário.
Recentemente, ouvimos o líder de centenas de milhões de católicos (e, por que não dizê-lo, de milhares de milhões de homens e mulheres de boa vontade) defender a paz como o verdadeiro antónimo da guerra, de matar e de submeter. A paz é uma expressão simples, mas cheia de significado evangélico: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz” (Jo 14, 27).
Mas o Senhor Jesus completa o dom da paz nesse mesmo versículo de São João: “Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem tenha medo.” É evidente que o mundo utilitarista não percebe a paz de Cristo como o caminho a seguir, a verdade a procurar e a vida a alcançar. O mundo vê numa manifestação de paz uma ameaça ao domínio do poder, do dinheiro e da glória.
Tal como na Idade Média, quando o senhor feudal considerava que uma mensagem ia contra o seu narcisismo, não criticava a mensagem: matava o trovador. Em vez de debater a razão fundamental da guerra (uma razão sem essência), preferimos matar ou polarizar aqueles que defendem a virtude pura, humana e divina da PAZ.
O Santo Padre Leão XIV seguiu outro caminho: aquele que o próprio Senhor Jesus disse ser. A essência da paz não é a reconciliação ex post, mas o desarmamento total ex ante. O amor como primazia!
O que podemos fazer perante a atitude de um Leão da Paz, que atua e se expõe como um verdadeiro sacerdote? Rezar por ele é, evidentemente, fundamental; mas não devemos limitar a nossa oração à intenção de que “se resolva o conflito entre ele e um chefe de governo”: é necessário rezar para que o Espírito Santo o conduza a continuar a percorrer o caminho do Senhor da Vida e a evangelizar a Sua Verdade.
Que a sua coragem seja para nós um exemplo! Não podemos ficar calados e deixar que o Leão da Paz lute sozinho, como se estivesse distante de nós. É necessário que, em cada lar, em cada diocese, em cada paróquia, em cada congregação, em cada organização laical, repitamos as palavras do Santo Padre como ele: sem medo, sem polarização nem ressentimento.
A paz não tem partidários, não tem dominadores, não tem línguas, não tem impérios, não tem polos: é simplesmente a Paz do Senhor Jesus.
Viva o Leão da Paz!
Por Eduardo Marques Almeida
Doutorando em Teologia no Instituto Católico de Paris; Mestre em Desenvolvimento Económico pela Universidade de Harvard; executivo de instituições de desenvolvimento internacional.