Frassati, Agora Santo: Um Carinho de Deus na Vocação da Juventude Vicentina
Por Juliana Rosa Silva. Delegada Internacional da Juventude.
No dia 7 de setembro de 2025, a Igreja Católica celebrou um momento inesquecível na história da fé: a canonização de dois jovens que, com suas vidas, incendiaram o mundo com o amor de Deus: São Pier Giorgio Frassati e São Carlo Acutis. Dois corações jovens, vibrantes, apaixonados pelo céu. Dois homens que, apesar da curta vida terrena, deixaram marcas de eternidade por onde passaram.
Frassati, patrono da juventude vicentina, morreu aos 24 anos em 4 de julho de 1925. Um jovem profundamente humano — com amigos, estudos, sonhos e lutas — e, ao mesmo tempo, profundamente santo. Não foi um super-herói, mas uma pessoa como qualquer um de nós. Vestia calças jeans, ria, estudava, vivia. Mas havia nele algo que ardia de maneira diferente: uma fome insaciável de Deus.
Pier Giorgio foi um jovem que poderia ter escolhido a comodidade, mas preferiu o caminho estreito. Filho de uma família influente, com status, oportunidades e bens, decidiu viver o Evangelho de forma radical. Recusou-se a ser indiferente diante do sofrimento alheio. Lutou contra as injustiças sociais, enfrentou regimes totalitários, não se calou diante do erro. E tudo isso não por rebeldia, mas por amor.
Frassati estudou Engenharia de Minas, para poder «servir melhor a Cristo entre os mineiros mais pobres», como disse a um amigo; «os seus preferidos», como ele os chamava. Visitava os doentes, carregava comida e medicamentos pelas ruas de Turim, e fazia isso em silêncio, sem buscar aplausos. Seu coração era inquieto, e suas montanhas preferidas não eram apenas os Alpes que tanto escalava, mas também as montanhas interiores da fé, da entrega e da confiança total em Deus. Subia ao alto não apenas pela vista, mas porque queria estar mais perto do Céu.
Olhar para a vida de Frassati é como olhar para um espelho, não porque sejamos como ele, mas porque ele nos lembra do que podemos ser, mesmo em meio às nossas misérias.

Eu me vejo refletido em Frassati. Não em suas obras, mas em seus sonhos. No desejo de amar, mesmo com tantas limitações. Ele me inspira a dizer a verdade, mesmo quando tenho medo ou quando o mundo grita o contrário. Sua vida íntima com a Eucaristia me recorda que é necessário permanecer em constante união com Cristo para não nos perdermos no caminho. Sua devoção à Virgem Maria me ensina que caminhar com ela rumo ao céu é um caminho mais doce, embora exigente. Seu afeto e ternura para com seus amigos me recordam que a amizade é um dom que devemos cultivar, que não nascemos para ficar sozinhos. E sua vida de profunda entrega aos doentes e necessitados me recorda que o serviço aos pobres não é um “fazer”, mas um “ser”: é identidade, é vocação.
Estar presente na canonização de um santo já é um dom imenso. Mas estar ali, aos pés do altar, ouvindo o Papa Leão XIV proclamar santo aquele que viveu, sonhou, acreditou e serviu com o mesmo carisma que pulsa em meu coração… foi como ouvir Deus sussurrar ao meu ouvido:
«A santidade é possível. Até mesmo para ti».
Naquele momento, senti um carinho de Deus em minha alma. Senti que Ele olhava para a minha pequenez e me dizia: «Continua. Eu estou contigo». Senti a misericórdia, a ternura, a força de um Deus que escolhe os fracos para confundir os fortes. Senti Deus.
Que São Pier Giorgio Frassati interceda por nós, jovens vicentinos do século XXI, para que não tenhamos medo de nos lançar nos braços de Deus e de não ser menos que o projeto de Deus para as nossas vidas.