14 de agosto: o legado e o compromisso das mulheres vicentinas
Todos os anos, a 14 de agosto, a Sociedade de São Vicente de Paulo celebra o Dia Internacional da Mulher Vicentina, uma data dedicada a reconhecer a contribuição de milhares de mulheres que, há quase dois séculos, sustentam e enriquecem a missão da SSVP em todo o mundo.
A comemoração foi instituída pelo Conselho Geral Internacional por ocasião do bicentenário do nascimento de Amélie Soulacroix Ozanam, esposa do Beato Frédéric Ozanam. Nascida em Marselha a 14 de agosto de 1820 e falecida a 26 de setembro de 1894, Amélie nunca pertenceu a uma Conferência da Sociedade de São Vicente de Paulo. No entanto, graças à sua dedicação e ao cuidado com que preservou a correspondência e numerosos documentos pessoais de Frédéric Ozanam, hoje conhecemos muito melhor o pensamento, a espiritualidade e a vida do principal fundador da Sociedade.
A sua figura representa o apoio discreto, a fidelidade ao Evangelho e o compromisso com uma missão que continua a transformar a vida de milhões de pessoas através do serviço e da fraternidade.
Um caminho aberto por muitas mulheres
Nos primeiros anos da Sociedade, as mulheres estavam praticamente ausentes da vida universitária e, por isso, não participaram na criação da SSVP. A Regra Geral de 1835 reservava a pertença às Conferências aos homens.
Contudo, esta disposição não impediu o nascimento de Conferências femininas fora de França. Assim, em Madrid, em 1855, Encarnación Villalba de Hore promoveu uma Conferência de Senhoras e, um ano depois, Celestina Scarabelli fez o mesmo em Bolonha, então pertencente aos Estados Pontifícios.
Embora a iniciativa das senhoras de Madrid constituísse inicialmente uma exceção à Regra Geral, o seu trabalho foi rapidamente reconhecido como complementar da missão vicentina. De facto, a Regra de 1858 reconhecia expressamente a importância destas Conferências femininas, afirmando que realizavam «precisamente aquilo que nos é proibido, completando assim, de certo modo, a nossa obra», convidando ainda a dar graças a Deus por um bem tão grande.
Em Espanha, na sequência do pedido apresentado pela presidente da Conferência ao núncio apostólico em Madrid, o Papa Pio IX concedeu, em 1856, às Conferências femininas as mesmas indulgências de que beneficiavam as Conferências masculinas, privilégio que, em 1867, estendeu a todas as Conferências ativas no país.
Em Bolonha, o reconhecimento oficial como parte integrante da Sociedade chegou em 1931, quando o Conselho local alcançou um acordo com o Conselho de Paris.
A esta história junta-se também o exemplo da Irmã Rosalie Rendu, Filha da Caridade, cuja proximidade aos primeiros fundadores foi decisiva para orientar as suas primeiras visitas às famílias mais necessitadas e transmitir-lhes o espírito de São Vicente de Paulo desde os primórdios da Sociedade.
Uma missão partilhada
Hoje, as mulheres constituem uma parte essencial da vida da Sociedade de São Vicente de Paulo. Participam ativamente nas Conferências e nos Conselhos, promovem projetos sociais, acompanham pessoas e famílias, incentivam a formação e assumem responsabilidades de liderança em todos os níveis da Confederação Internacional.
A SSVP é hoje uma organização composta por mulheres e homens que partilham a mesma vocação de serviço, a mesma espiritualidade e o mesmo compromisso com a dignidade de cada pessoa. Unidos pelo carisma vicentino, desenvolvem a sua missão com corresponsabilidade, fraternidade e participação, com os mesmos direitos e deveres no seio da Sociedade.
Neste 14 de agosto, a Sociedade de São Vicente de Paulo expressa a sua gratidão a todas as mulheres vicentinas que, com generosidade, sensibilidade e dedicação diária, continuam a fazer crescer esta grande família internacional. O seu testemunho recorda-nos que a verdadeira liderança nasce do serviço e que cada gesto de proximidade contribui para construir comunidades mais fraternas, mais solidárias e mais humanas.